segunda-feira, 7 de abril de 2014

e eu só sabia rir


Eu podia sentir o fervor dos olhos dele carregados de ódio mesmo sendo discreto, eu sentia minha orelha queimar como uma brasa de uma linda fogueira de mágoas, eu ria.
O acaso de passar trezentas vezes no local em que eu me encontrava não era acaso, era raiva fulminante. Era tão displicente que chegava ao ridículo. Eu agora o achava ridículo e ria.
Fingia não ver o automóvel discretamente seguindo-me pelas ruas, olhei pelo retrovisor e ri.
Tampei meus ouvidos para os arrotos sobre o nosso relacionamento, ex relacionamento. Ignorei aquela dor de cotovelo irritante que para ser aliviada sentia uma necessidade escomunal de me xingar, se não me reduzisse a pó não se sentiria homem novamente. Chego a ouvir o timbre da voz dele falar "aquela vadia" e eu só sabia rir.
Todas as mensagens eu apagava-as depois de ler e rir, sem chance. Era tudo um eterno circo patético onde ele tentava se mostrar um pavão conquistador a cada semana com uma moça distinta diferente tentando causar algum sentimento em mim. Eu via e ria.

Ri e abaixei cabeça para olhar qualquer coisa sobre a mesa quando percebi que ele me olhou um pouco diferente, senti aquele clima estranho, eu já não sabia como reagir a estes climas estranhos. Ri quando ele me disse que se soubesse que meu namorado me traia me contaria e ri ainda mais chamando-o de mentiroso porque ninguém faria isso com uma pessoa desconhecida. Eu não fiz isso por ele quando sabia o que todo mundo sabia, que uma ex namorada dele o traia.
Ri quando ele foi pagar a conta sem eu ver para ser cavalheiro, ri com um pingo de ódio porque aquilo não era um encontro e eu não queria que ninguém pagasse a minha cerveja.
Ri quando ele disse "se cuida", eu respondi "pode deixar, eu me cuido".

Ria do ele que pertencia agora ao passado e ria para o ele do meu futuro.
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