quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

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Porque quando nos beijamos pela primeira vez eu sabia que ali começaria algo do tipo... Turbulento, pesado, confuso e cheio de poréns. Por três ou mais longos segundos eu inclinei levemente minha cabeça para baixo e falei mentalmente exatamente estas palavras "isto vai dar merda...". E deu.
Você tinha tudo o que eu não queria, era tudo o que eu odiava e desaprovava em alguém. Era teimoso e achava que o mundo girava em volta do meu misero umbigo, era ciumento por coisas banais e ao mesmo tempo que me fazia me aproximar me afastava. Instável, cheio de paranoias e fazia questão de agir como um  completo idiota. Um grande idiota que não se entendia com seus próprios sentimentos ao ver que eu tinha jogado a bandeira branca com um enorme "desisto de você, guri". Desisto de mim - e de você - e do seu jeito ridículo e igualzinho ao meu, "minha versão masculina".
Estraguei muitas noites de curtição com seus amigos quando você me viu sozinha naquele bar curtindo sozinha. Estraguei a sua paz noturna com você imaginando as piores coisas que eu poderia fazer, e das piores? Sair com outra pessoa. É, eu sei... Você também estragou algumas das minhas noites quando te vi por ai. A imaginação era reciproca, o incomodo era reciproco, a vontade de te mandar a merda era reciproca. Tolos. Querendo ações diferentes um do outro sem nem ao menos tentar conversar; talvez se fossemos um pouco mais sinceros consigo mesmo entenderíamos o que se passava.
Iô-iô, reaproximação, sexo, desentendimentos, brigas, beijos, risos, silêncios profundos, sms, "não damos certo", "é, não damos certo", logo percebia que nem dávamos ouvidos as nossas próprias palavras  porque estávamos ali, de novo, juntos. Terminamos milhares de vezes o que na verdade nem tinha começado, reconciliamos o que nem tinha tido um ponto final.. 
No fim, eu acho que tinha muito álcool no meio, muita adrenalina, era pouco o tempo da "liberdade" readquirida por ambos, tinha sede de aproveitar o melhor momento da vida, muito desejo só no corpo, muita vontade de abraçar o mundo e não ter de se preocupar em magoar ninguém, eram tantas coisas que mal percebemos a vontade que tínhamos em ter apenas a presença um do outro. Não era mais só sexo, não era mais e apenas carnal, tinha algo mais acontecendo. Ligações noturnas, palavras ditas por telefone que no cara a cara não era soadas.
Era o medo que nos impregnava.
E sim, eu te odiava todas as vezes que me trazia de volta, mesmo eu tendo dito adeus.
V.S.R.




Já esses é do Hugo Rodrigues que coloca mini ditos em sua página. Este texto foi lido através da Isabela Freitas


Existem mil formas de eu me apaixonar por uma mulher. Uma delas é quando a pequena está fazendo rabo de cavalo no cabelo enquanto fala e, quando termina, debruça seus cotovelos sobre a mesa, me olha como se nada mágico tivesse acontecido e me pergunta algo clichê como "O que a gente vai jantar hoje?".
Ou quando a pequena não sabe se ri ou se morde, aí me dá um risinho mordendo a parte de baixo do lábio, sabe? Esse é o problema das mulheres – tudo nelas é apaixonante. Para mim, os cúpidos – aqueles anjos malditos que nos propagam o amor – estão em todos os cantos das mulheres. Nas sobrancelhas finas. Nos narizes pontudos. Nos joelhos lisos. Nos calcanhares machucados. No perfume das nucas. No cheiro das costas. Na gordurinha entre as coxas. Naqueles brincos grandes que só vestem uma orelha. Naqueles shorts jeans que já foram calças e agora passeiam seus fiapos pelas pernas das pequenas. Ou na forma desleixada de sentar quando não estão de saias ou vestidos.
Mulher é um temporal de elogios. Um livro sem fim, mas com capa bonita e perfumada. Mulher é não ter sapatos tendo cento e dois pares no armário. E, ainda por cima, mulher é descobrir que vestido usado uma vez já é uma roupa velha. Mulheres são crises ao meio-dia pelo tempo não passar e desespero às 20h30 por já estar uma hora atrasada.
Mulher é uma poesia com virilhas, peitos e boca. Inspiração para músicas, livros e qualquer manifestação artística. Mulher é a cultura decotada e perfumada. Mulher é a insônia que nos causa por uma briga qualquer e a vontade acordar cedo só para levar o café-da-manhã na cama. A mulher é um conjunto. Um dicionário completo. Mulher é um devaneio perfeito e um paraíso primoroso. A mulher tem em seu sorriso a arma mais poderosa do mundo e em seu colo o centímetro mais caro da Terra - espaço esse que nenhum arranha-céu moderno de Dubai consegue se comparar. 
A mulher nasceu para ser dona do mundo. E não me venha com essa história de que Eva foi feita da costela de Adão. A mulher nasceu primeiro. Fez as flores, os jardins e os bichinhos. Depois, sentiu falta de um colo masculino e de alguém para matar os insetos nojentos que surgiram por acaso. Aí sim, houve a necessidade de um companheiro. No dia que a mulher descobrir que possui as rédeas de qualquer relacionamento, os homens terão que fazer muito mais do que piadas irônicas, recitar músicas do Chico Buarque e ter um peitoral confortável para atrair à atenção feminina. 



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