sábado, 25 de maio de 2013

um sábado qualquer



Foi em um sábado qualquer que percebi que a sua ausência não é sentida com dor e tristeza. Um sábado daqueles cinzentos de ora sol, ora nuvens, que sentada na varanda me dei conta o quanto sou completa e só.
Por muito tempo mantinha um ritmo em minha vida onde tudo era você. Os convites de meus amigos eu não dava respostas exatas, deixava no ar um “talvez”, “vamos ver”, “te ligo mais tarde qualquer coisa”, apenas porque eu esperava mentalmente com os dedos cruzados o teu chamado, aquele SMS, um “oi” nos conversadores instantâneos nos 45 minutos do segundo tempo da sexta-feira, a ligação às 20 horas da noite.
Completamente boba, agia de todas as formas possíveis das quais nunca gostei e aprovei nos relacionamentos alheios.
Sinceramente não sei se o meu erro foi sem mais nem menos me entregar sentimentalmente. Nunca gostei de jogos na conquista e talvez por isso eu vá muito direto ao ponto “gosto de ti e ponto final”, algum problema? E lá estava eu, trancafiando uma dor oculta no sorriso do meu rosto de todos os finais de semana. Foram meses difíceis.
Enfim, o tempo cura tudo certo? Certo! O tempo me ensinou assim como ensina todas nós, velhas teimosas, que o nosso amor deve ser completamente entregue a nós mesmos, para depois ser dividido com outro alguém.
Parei com as tolices de adolescente: esperar ligações, SMS ou chamados. Comecei a sair sem me preocupar em olhar o celular a cada 15 em 15 minutos só para ter certeza de que me procurara. Eu comecei a rir porque eu tinha vontade de sorrir. A vida começou a fluir em minhas artérias e você já não me tirava o sono ou o prazer de me divertir.
Eu estava sendo o meu EU, o verídico, a teimosa, a orgulhosa.
 Dormia sem nenhum remorso de ser sábado à noite e pelo fato de eu estar em casa. Fazia meu chimarrão aos domingos e sentava a sombra das árvores sem me preocupar em dar voltinhas na cidade para ver “gente”. Comecei a adormecer com livros em minhas mãos e a não acordar mais com o toque de SMS recebido.
O sentimento por ti ainda era o mesmo, porém, a minha postura era outra. Não comecei a usar jogos de conquista e ainda falava olhando nos seus olhos que “sim, gosto de você”. Talvez a minha sinceridade e o meu sem mais nem menos de entrega sentimental é que te pegou. Vai entender.
E hoje, neste sábado qualquer, percebi que o meu tédio natural de não fazer nada é o mesmo de quando estou com ou sem você. Nada muda, nada é ou deixa de ser especial com ou sem você. Sempre fui muito independente e com você ao meu lado perdi esta independência da qual hoje... Percebi que a tenho de volta.
O sentimento por ti ainda é o mesmo, eu juro. Só consolidei o estilo de vida amorosa que sempre procurei ter: eu posso sim viver sem você, apenas não quero isso.
V.S.R.
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