segunda-feira, 10 de junho de 2013

Um verdadeiro: O mundo da voltas


Com o dia dos namorados ai (olha essa frase de novo) resolvi postar em partes um texto perdido. Coisas perdidas talvez um dia tenha alguma explicação.



Quando alguém pergunta como você e seu companheiro se conheceram, todos e digo absolutamente todos esperam ouvir uma verdadeira sequência de fatos dignos de um roteiro de cinema.
Nós?
Passamos longe disso. Muito longe. Quilômetros, bilhões de quilômetros.

Mesmo assim deu certo, né. Estranho.
Bem, a primeira vez que o vi foi em um dia normal, com o sol se empenhando ao máximo na sua missão, nos derreter. É o clima daqui, fazer o que.
Não acordei naquele dia me sentindo especial, nem me sentindo mais bonita, ou com aquela sensação de que seria um dia diferente mesmo não entendendo o motivo. Nada. Necas. Putfft. Ah, e nem com as tais borboletas no estômago (e sério, que maneira de se expressar mais infanto-juvenil!)
Quando o vi, o vi apenas. E ele e uma parede para mim era a mesma coisa. Completamente sem importância. Andava de mão dadas com uma guria. Ok, namorados. Pensei "até que são bonitinhos". Mentira, não eram bonitos depois de dois segundos de análise distante, não carregavam nenhuma linha de felicidade em seus rostos (e me lembro nitidamente até hoje); estava mais para tédio ou até um ódio ali no meio. "Que estranho" pensei. Ou era muita pose ou era muita infelicidade. Um tanto faz para eles e nunca mais os vi.
Sabia quem ele era e o via de vez em quando no ensino médio com aquela expressão tola de rei na barriga. Não  o achava feio mas também não chamava atenção em "boniteza". Ele tinha a beleza normal de um rapaz ainda em formação. Não era menino mas também não era homem, tinha muito que evoluir. E assim nunca mais o vi.
Quando o encontrei novamente já havia se passado anos, não muitos mas era um tempo considerável. Ele e uma parede para mim ainda era a mesma coisa, completamente sem importância. Eu e uma parede para ele não era a mesma coisa porque reparei que não parou de olhar para mim daquele jeito "não te reparei". E assim nunca mais o vi, ao menos achei que seria assim, até duas semanas depois.
Autora : V.S.R.
Continua ...

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